A Justiça do Trabalho já contabiliza 171 novos processos por assédio eleitoral no ambiente de trabalho ao longo de 2026. O número eleva para 771 o total de ações iniciadas no país desde 2023. A prática se caracteriza quando empregadores ou superiores coagem, ameaçam ou constrangem funcionários para influenciar suas escolhas políticas, podendo ocorrer de forma individual ou coletiva.
Entre os episódios sob apuração do Ministério Público do Trabalho (MPT) está uma declaração do empresário Luciano Hang, dono da Havan, sugerindo que colaboradores favoráveis ao fim da escala 6×1 procurassem outro emprego. Outro caso envolve o influenciador digital Rico Melquiades, que afirmou em redes sociais que demitiria uma funcionária por divergência partidária — o influenciador alegou posteriormente tratar-se de uma retratação e que as pessoas no vídeo eram familiares.
Segundo a advogada trabalhista Juliana Castilho, mensagens de coação enviadas por aplicativos ou e-mail corporativo servem como prova do crime, devendo ser preservadas para fundamentar denúncias. As notificações podem ser apresentadas aos canais internos da empresa, MPT, Ministério do Trabalho, Justiça Eleitoral ou sindicato da categoria. O estado de São Paulo lidera o ranking de processos, seguido por Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina, que juntos concentram metade dos registros do país.
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