Levantamento da Fecomércio-MA revela que cartão de crédito lidera as dívidas e compromete quase 30% do orçamento doméstico na capital.
O endividamento das famílias em São Luís atingiu 86% em julho de 2026, o maior patamar registrado desde 2021. Na prática, 86 de cada 100 famílias ludovicenses possuem algum tipo de dívida ativa — um salto expressivo de 24% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o índice era de 69,3%. Os dados vêm da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Maranhão (Fecomércio-MA) em parceria com a Confederação Nacional do Comércio (CNC).
Apesar da alta na busca por crédito, a inadimplência severa cresceu em ritmo mais moderado. O levantamento aponta que 28,4% dos lares tinham parcelas em atraso em julho, enquanto 4,9% declararam não ter condições financeiras de quitar seus débitos. O panorama atual difere do ápice da pandemia de Covid-19: em março de 2021, o endividamento alcançava 91,1% da população, com 47,9% das famílias inadimplentes e 9,1% sem capacidade de pagamento.
Fatores econômicos e pressão no orçamento
O aperto financeiro é impulsionado pela alta no custo de vida e pelas oscilações no mercado de trabalho. A inflação acumulada em 12 meses na capital maranhense subiu para 4,87% em julho, superando a média nacional de 4,44%. Paralelamente, a taxa de desemprego na Grande São Luís subiu de 6,6% no último trimestre de 2025 para 7,6% no primeiro trimestre de 2026. A vulnerabilidade do trabalhador local também é acentuada pela informalidade, que atinge 57,6% dos ocupados no estado, segundo dados do IBGE.
Cartão de crédito lidera e consome quase um terço da renda
A principal modalidade de endividamento dos ludovicenses continua sendo o cartão de crédito, utilizado por 82% das famílias endividadas — taxa que chega a 83,7% nas faixas com renda de até 10 salários mínimos.
O impacto nas despesas mensais também chama atenção: em média, as famílias comprometem 29,5% do seu rendimento apenas com o pagamento de dívidas. O percentual significa que, para cada R$ 1.000 arrecadados, cerca de R$ 295 são destinados a compromissos financeiros.
Curiosamente, o avanço do endividamento não paralisou o consumo local. O comércio varejista do Maranhão registrou alta de 3,1% nas vendas em junho na comparação anual, acumulando um crescimento de 2% no primeiro semestre de 2026.
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