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Tarifaço reduz exportações brasileiras aos EUA em US$ 2,9 bilhões no ano

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As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 12,2% entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), o país vendeu US$ 21 bilhões ao mercado americano nos primeiros sete meses do ano, cerca de US$ 2,9 bilhões a menos que em 2025.

Os dados fazem parte do Monitor do Comércio Brasil-Estados Unidos, elaborado pela Amcham com base em informações oficiais do Comexstat. Com a retração, o valor exportado no período atingiu o menor nível para os primeiros sete meses do ano desde 2023.

O impacto foi maior entre os produtos submetidos às tarifas mais elevadas impostas pelos Estados Unidos. Nesse grupo, as exportações brasileiras caíram 31,5%, passando de US$ 4,6 bilhões para US$ 3,2 bilhões, uma redução de aproximadamente US$ 1,4 bilhão.

Entre os produtos mais afetados estão a madeira de coníferas, cujas vendas recuaram 59,4%, além do sebo bovino, ovino ou caprino (-42,5%), granitos trabalhados (-42,1%), fumo não manufaturado (-37,7%) e portas e caixilhos (-35,3%).

Queda também aparece em julho

Em julho, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 3,6 bilhões, queda de 5% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado interrompeu a recuperação registrada em junho, quando as vendas brasileiras ao mercado americano haviam apresentado crescimento pela primeira vez desde agosto do ano passado.

Entre os produtos submetidos às maiores sobretaxas, a retração em julho chegou a 25,7%. Em contrapartida, as exportações de produtos enquadrados na Seção 232, que envolve itens considerados estratégicos pelos Estados Unidos por questões de segurança nacional, cresceram 21,5%, impulsionadas principalmente pelas vendas de aço e alumínio.

Brasil aumenta exportações para outros mercados

A queda nas vendas para os Estados Unidos contrasta com o desempenho das exportações brasileiras para os demais países. No acumulado de janeiro a julho, as vendas externas do Brasil cresceram 10,5%.

Mesmo com a retração, os Estados Unidos continuam como o segundo principal destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China.

Alguns produtos também registraram comportamento diferente conforme o mercado de destino. O petróleo bruto, por exemplo, teve queda de 25,5% nas vendas aos Estados Unidos. Os semimanufaturados de ferro ou aço recuaram 11,1%, o ferro-gusa caiu 7,9% e a celulose teve redução de 5,3%.

Importações caem e déficit aumenta

As importações brasileiras de produtos americanos também diminuíram no acumulado do ano. Entre janeiro e julho, o Brasil comprou US$ 23,2 bilhões dos Estados Unidos, queda de 10,4% em relação ao mesmo período de 2025.

Apesar da redução nas compras, a queda nas exportações foi maior, levando o Brasil a registrar déficit comercial de US$ 2,3 bilhões com os Estados Unidos no período. O resultado representa aumento de 122,3% em relação ao déficit registrado nos primeiros sete meses do ano passado.

Em julho, as importações brasileiras de produtos americanos somaram US$ 4,3 bilhões, alta de 0,6% na comparação anual. Com exportações de US$ 3,6 bilhões, o Brasil fechou o mês com déficit de US$ 639 milhões na balança comercial com os Estados Unidos.

O cenário mostra que as sobretaxas aplicadas pelo governo americano já produzem efeitos relevantes sobre o comércio bilateral, principalmente nos setores brasileiros mais expostos às tarifas elevadas.