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Trabalhadores maranhenses são resgatados de condições análogas à escravidão em fazenda no Mato Grosso

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Uma operação de fiscalização realizada por auditores do trabalho, com apoio das polícias Militar e Federal, resultou no resgate de ao menos 25 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em uma fazenda no município de Peixoto de Azevedo (MT), a cerca de 692 quilômetros de Cuiabá. Entre as vítimas, há maranhenses, além de trabalhadores de outros estados das regiões Norte e Nordeste.

A ação, realizada ao longo de quatro dias, identificou diversas irregularidades, como restrição de liberdade, servidão por dívida e condições degradantes de trabalho e moradia. O caso foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho (MPT), que deverá adotar as medidas cabíveis.

Segundo a fiscalização, a propriedade rural, destinada à pecuária, está localizada em uma área de difícil acesso, com cerca de 100 quilômetros de estrada de terra em condições precárias. O isolamento era intensificado pela ausência de transporte e pela falta de sinal de telefone e internet nos alojamentos. O único ponto com conexão ficava a quilômetros de distância, sem meios de deslocamento. Alguns trabalhadores relataram permanecer no local por mais de sete meses sem sair.

Também foram constatadas jornadas exaustivas, sem descanso semanal adequado. Em muitos casos, os trabalhadores atuavam de segunda a sábado e ainda realizavam atividades aos domingos sem registro formal, com pagamento extra.

Outro problema identificado foi o endividamento dos trabalhadores. Embora recebessem alimentação básica, itens essenciais, como produtos de higiene, eram vendidos dentro da fazenda, gerando dívidas contínuas. Trabalhadores assinavam documentos em branco, sem controle dos valores, e os descontos eram feitos diretamente nos salários.

As condições de moradia foram consideradas precárias, sem estrutura mínima de higiene e segurança. A fiscalização também verificou riscos à saúde, como o manuseio de agrotóxicos sem equipamentos de proteção e a lavagem dessas roupas junto às peças pessoais. Além disso, havia trabalhadores operando máquinas sem capacitação.

Durante a operação, setores da fazenda foram interditados, incluindo áreas industriais, equipamentos e instalações consideradas perigosas. A cozinha da sede também foi fechada por falta de condições sanitárias.

O proprietário foi notificado a regularizar a situação dos trabalhadores e quitar as verbas rescisórias, que somam mais de R$ 500 mil.

Após o resgate, os trabalhadores receberam assistência por meio de um programa de acolhimento coordenado por órgãos federais e instituições parceiras.