O número de brasileiros que vivem sozinhos tem aumentado de forma significativa nos últimos anos, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Atualmente, cerca de um em cada cinco domicílios do país é ocupado por apenas uma pessoa.
O levantamento revela mudanças importantes no perfil das famílias brasileiras, refletindo transformações sociais, econômicas e culturais. Entre os homens que vivem sozinhos, a maioria está na faixa etária entre 30 e 59 anos. Já entre as mulheres, o maior grupo é composto por pessoas com 60 anos ou mais, muitas delas viúvas ou que optaram por maior independência.
Especialistas apontam que o crescimento desse tipo de moradia está ligado a fatores como o envelhecimento da população, aumento da expectativa de vida, maior participação das mulheres no mercado de trabalho e mudanças no conceito tradicional de família.
Além disso, o fenômeno também está associado a separações, adiamento do casamento e à busca por autonomia individual. Em grandes centros urbanos, o alto custo de vida e a mobilidade profissional também influenciam esse cenário.
Apesar do avanço, o estudo evidencia desigualdades persistentes no país. Pessoas que vivem sozinhas, especialmente idosos, podem enfrentar desafios relacionados à renda, acesso a serviços e rede de apoio social.
Histórias como a da auxiliar de serviços gerais Wilmar Gomes de Sousa, de 68 anos, ilustram essa realidade. Após duas uniões e uma família numerosa, ela optou por morar sozinha e valoriza a independência. “Tenho minha liberdade, gosto de sair, passear e trabalhar. Me sinto bem assim”, relata.
Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas a esse novo perfil de domicílio, especialmente nas áreas de saúde, assistência social e habitação.