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Operação do Gaeco mira desvios de R$ 600 milhões e apreende aviões e carros de luxo em Imperatriz

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Deflagrada pelo Ministério Público, a Operação Faenerator apura esquema de agiotagem e lavagem de dinheiro em contratos de obras públicas vigentes desde 2017.

O Ministério Público do Maranhão (MPMA), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), deflagrou nesta terça-feira (15) a Operação Faenerator. A ação investiga uma organização criminosa suspeita de operar um esquema de agiotagem, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações vinculadas à Secretaria Municipal de Infraestrutura (Sinfra) de Imperatriz, com movimentações e prejuízos estimados em mais de R$ 600 milhões desde 2017.

A Justiça autorizou o bloqueio de bens e valores dos investigados no montante de até R$ 621.455.220,00. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão nos municípios de Imperatriz, João Lisboa e Buritirana, agentes apreenderam aeronaves, embarcações, veículos de luxo, maquinário pesado e dispositivos eletrônicos.

A operação desdobra os achados de fases anteriores (as operações Regalo, Timoneiro e Pavimentum) e contou com o apoio da Polícia Civil (Seic), Polícia Militar e da Coordenadoria de Inteligência do MPMA.

Mecânica do esquema e ocultação patrimonial

As apurações apontam que o grupo funcionava como um núcleo financeiro paralelo. Empreiteiras contratadas pela prefeitura recorriam à organização para obter capital de giro imediato. Os empréstimos eram concedidos com juros informais entre 3,5% e 4% ao mês, garantidos por cheques e notas promissórias mantidos à margem do sistema bancário.

Para ocultar os dividendos ilícitos, o grupo utilizava operações fracionadas, contas de passagem e empresas de fachada. Um dos casos destacados pelo MPMA envolve uma clínica odontológica que declarava faturamento mensal de R$ 13 mil, mas movimentou R$ 143,8 milhões entre 2019 e 2024.

O volume financeiro gerado era reinserido no mercado formal mediante a aquisição de imóveis rurais e bens de alto valor. A investigação também identificou que o esquema custeava despesas pessoais de agentes públicos e pessoas expostas politicamente.

Até o fechamento desta edição, a Prefeitura de Imperatriz não havia se manifestado sobre o caso.

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