Operação Monte Sinai atinge empresas ligadas à família Brandão, acelerando desembarque de prefeitos e selando desconfiança sobre sucessão no Palácio dos Leões.
A pretensão de Orleans Brandão (MDB) de suceder o tio, o governador Carlos Brandão, enfrenta o seu momento de maior fragilidade até aqui. Encurralada por índices crescentes de rejeição e minada pelas sucessivas operações da Polícia Federal (PF), a candidatura do emedebista entrou em rota de colapso. O cenário das pesquisas de intenção de voto reflete a baixa expectativa do eleitorado, apontando probabilidades quase nulas de vitória.
O desgaste, que já vinha se acumulando diante de uma popularidade historicamente baixa, atingiu o ápice nesta quinta-feira (13), com a deflagração da Operação Monte Sinai pela PF. A ação teve como alvo empresas diretamente ligadas à oligarquia Brandão, investigadas por esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro.
Entre os alvos da PF sobressaiu-se a empreiteira Vigas, empresa que já protagonizou escândalos envolvendo verbas públicas e que mantém laços intrínsecos com a família do governador, incluindo o ex-advogado da empreiteira, Daniel Brandão, que hoje ocupa a presidência do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA). A cada nova ação da Polícia Federal, o cerco se fecha de forma mais contundente ao redor do núcleo político do Palácio dos Leões.
“Quando investigações policiais atingem o coração do grupo político, a estagnação nas urnas rapidamente se transforma em derrocada. O eleitor e as lideranças locais perdem a perspectiva de poder”, analisa um especialista em marketing político ouvido pela reportagem.
O avanço das investigações e a falta de capilaridade política de Orleans desencadeou uma forte debandada da base governista. Prefeitos de importantes municípios maranhenses, a exemplo de Imperatriz (com Rildo Amaral), Presidente Dutra, Chapadinha e Dom Pedro já desembarcaram do projeto, seguindo o movimento iniciado por lideranças como o ex-ministro André Fufuca. Dezenas de outros gestores municipais preparam o desligamento nos próximos dias para não afundarem junto com o grupo.
Nos bastidores, o clima é de desolação. Até mesmo interlocutores e aliados mais próximos de Orleans Brandão já admitem, sob reserva, que a vitória do candidato emedebista tornou-se uma missão praticamente impossível diante do forte repúdio popular e do cerco policial.