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ANPD suspende lives do Discord no Brasil por riscos a crianças e adolescentes

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A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou, nesta quarta-feira (12), a suspensão, no Brasil, da ferramenta de transmissões ao vivo do Discord e de recursos equivalentes de compartilhamento de vídeo. A medida é preventiva e deverá ser cumprida pela plataforma no prazo de três dias úteis.

A determinação atinge especificamente a função “Go Live”, utilizada para transmissões em servidores da plataforma, mas não representa o bloqueio do Discord no país. Outros recursos do aplicativo continuam disponíveis.

A suspensão permanecerá em vigor até que a empresa comprove à ANPD a adoção de medidas técnicas, de segurança e de governança consideradas suficientes para proteger crianças e adolescentes.

A decisão foi tomada após uma investigação de fiscalização iniciada pela agência na última sexta-feira (7), diante de informações sobre possíveis falhas da plataforma na proteção de menores de idade.

Investigação ganhou força após morte de adolescente

O caso passou a ser acompanhado com maior atenção após a morte de uma adolescente de 13 anos, em Naviraí (MS), que teria sido induzida ao suicídio durante uma transmissão realizada em um ambiente do Discord.

O episódio é investigado pela Operação Lívia, conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A investigação apura a atuação de grupos que utilizariam comunidades virtuais para atrair crianças e adolescentes e submetê-los a situações envolvendo violência psicológica, automutilação e comportamentos extremos.

Na primeira fase da operação, cinco adolescentes, entre 13 e 17 anos, foram apreendidos e um homem de 18 anos foi detido. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em diferentes estados.

ANPD aponta falhas de segurança

Segundo a ANPD, foram identificadas evidências de que o Discord não teria adotado medidas suficientes para prevenir e reduzir riscos relacionados à exposição de crianças e adolescentes a conteúdos envolvendo violência, automutilação e suicídio.

A agência também aponta dificuldades técnicas para monitorar transmissões em tempo real. Conforme a decisão, a plataforma não teria acesso direto ao conteúdo audiovisual das lives durante sua realização, dependendo de sistemas automatizados e de denúncias dos próprios usuários.

A ANPD informou ainda que mudanças realizadas na ferramenta “Go Live”, em março, teriam reduzido mecanismos de proteção destinados a usuários menores de idade.

Além da suspensão das transmissões, a empresa deverá adotar medidas para impedir que usuários tentem contornar a determinação.

Discord poderá recorrer

O Discord poderá apresentar recurso à Superintendência de Fiscalização da ANPD no prazo de dez dias úteis. Caso a decisão seja mantida, a empresa ainda poderá recorrer ao Conselho Diretor da agência.

A plataforma afirmou que mantém diálogo com as autoridades brasileiras e que trabalha para ampliar a segurança dos usuários. A empresa declarou que não tolera grupos que incentivem violência e que possui equipes destinadas a identificar comunidades desse tipo, remover conteúdos irregulares e tomar medidas contra os responsáveis.

O Discord também informou que colaborou com as autoridades na investigação envolvendo a adolescente de Naviraí e afirmou ter identificado e desativado um servidor privado relacionado ao caso.

Agência pode aplicar novas sanções

A suspensão das lives não encerra o processo de fiscalização. A ANPD poderá determinar novas medidas caso sejam identificadas outras irregularidades na proteção de crianças e adolescentes.

Entre as possíveis penalidades está multa de até R$ 50 milhões por infração, conforme previsto nas regras aplicáveis.

A agência afirmou que a medida emergencial foi adotada diante do risco de danos graves ou de difícil reparação a crianças e adolescentes. A função de transmissão ao vivo só poderá ser reativada após o Discord comprovar a implementação das medidas exigidas e obter autorização da ANPD.