Mesmo cercado, o conduzido teria desferido um soco em um militar, versão contestada por vídeos e testemunhas
Durante uma abordagem em uma casa de eventos alugada por Édson Kerly Viegas, uma operação da Polícia Militar no início da noite de terça-feira (07), na Vila Mauro Fecury, região da Itaqui-Bacanga, terminou com denúncias de abuso de autoridade. Câmeras de segurança obtidas pela reportagem mostram que a ação começou às 18h47, quando três viaturas da PM chegaram ao local.
Naquele momento, familiares e amigos comemoravam o aniversário da filha de 12 anos de Édson e de outras duas pessoas. As imagens registram que a confraternização transcorria normalmente, com adultos e crianças reunidos, sem qualquer intercorrência.
Segundo informações obtidas pela reportagem junto a policiais militares que participaram da operação e pediram para não serem identificados, a diligência foi motivada por levantamentos relacionados a uma série de roubos de motocicletas registrados em duas empresas do setor, uma delas pertencente a políticos e pessoas com influência no Judiciário maranhense.
Os dados de inteligência apontavam que dois homens, ainda desconhecidos e que não eram nem o locatário muito menos os aniversariantes, poderiam estar presentes na festa. A missão da equipe seria apenas colher elementos para subsidiar o prosseguimento das investigações.
Testemunhas relataram à reportagem que, após sucessivas batidas no portão, Édson subiu no muro para verificar quem estava do lado de fora. Naquele momento, ele teria perguntado aos militares se havia mandado judicial autorizando o ingresso no imóvel e informado que não abriria o portão sem a apresentação da ordem.
Os vídeos publicados abaixo registram toda a dinâmica da ocorrência, desde a chegada das viaturas, o ingresso no imóvel, parte das agressões e o tumulto durante a abordagem, constituindo um dos principais elementos para a apuração da legalidade da atuação policial.
No Plantão do Anjo da Guarda, onde foi lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), consta a versão de que o conduzido teria desferido um soco em um dos policiais durante a abordagem. A justificativa, contudo, é contestada por testemunhas e pelos vídeos obtidos pela reportagem, que deverão auxiliar na reconstrução da dinâmica dos fatos e no esclarecimento das circunstâncias da intervenção.
O episódio também levanta questionamentos sobre os limites da atuação das forças de segurança. A Constituição Federal estabelece que cabe à Polícia Militar exercer o policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública, enquanto a investigação criminal compete, em regra, à Polícia Civil.
As vítimas informaram à reportagem que irão procurar o Ministério Público nesta segunda-feira (13), onde deverão formalizar representação para que sejam adotadas as medidas cabíveis, inclusive apuração da conduta dos envolvidos.
Em observância ao direito de resposta e aos princípios do contraditório, a reportagem encaminhou pedidos de esclarecimento ao Comando do 1º Batalhão da Polícia Militar e à Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão, aos cuidados da secretária, coronel Augusta.
Os documentos foram acompanhados dos vídeos, permitindo que as autoridades tivessem conhecimento dos fatos. No entanto, até o fechamento desta edição, nenhuma manifestação havia sido encaminhada, mas o espaço permanece aberto para os devidos esclarecimentos.
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