A imagem do atleta Wilson Timóteo, campeão de jiu-jítsu, vendendo água nos semáforos de São Luís para custear sua participação em competições é um retrato preocupante da realidade enfrentada por muitos esportistas maranhenses. Em vez de estar integralmente dedicado aos treinamentos e à preparação para representar o Maranhão em eventos nacionais, o atleta precisa recorrer às ruas para arrecadar recursos e manter vivo o sonho de competir.
O caso expõe uma situação que se repete com frequência no estado. Atletas de diversas modalidades são obrigados a organizar rifas, promover campanhas de arrecadação, buscar doações e até trabalhar em atividades informais para conseguir viajar e participar de competições fora do Maranhão. Enquanto isso, o apoio institucional que deveria servir como incentivo ao esporte de alto rendimento continua distante da realidade da maioria dos competidores.
A situação ganha contornos ainda mais preocupantes porque, há poucas semanas, o secretário estadual de Esporte e Lazer, Celso Dias, apareceu ao lado do atleta prometendo apoio para sua participação em futuras competições. No entanto, segundo relatos, a ajuda anunciada não se concretizou, obrigando Wilson a buscar alternativas para arrecadar recursos por conta própria.
O episódio evidencia a fragilidade da política de incentivo ao esporte no Maranhão. Em vez de encontrar suporte para representar o estado em grandes eventos, muitos atletas relatam dificuldades para obter atendimento, patrocínio ou auxílio por parte dos órgãos responsáveis. O resultado é que talentos promissores acabam gastando tempo e energia em campanhas para arrecadar dinheiro quando deveriam estar focados exclusivamente na preparação física e técnica.
O tratamento dispensado a Wilson Timóteo não é um caso isolado. Diversos atletas que procuram apoio junto à Secretaria de Estado do Esporte e Lazer e ao próprio Governo do Estado relatam obstáculos semelhantes. A falta de incentivo demonstra o baixo nível de prioridade dado ao esporte, justamente em um estado que possui inúmeros talentos e que poderia utilizar a atividade esportiva como ferramenta de inclusão social, geração de oportunidades e transformação de vidas.
Enquanto governos de outras regiões investem na formação de atletas e na participação em competições nacionais e internacionais, muitos esportistas maranhenses seguem dependendo da solidariedade da população para continuar competindo. É uma realidade que expõe o contraste entre os discursos de valorização do esporte e a situação enfrentada diariamente por quem carrega o nome do Maranhão para além de suas fronteiras.
Wilson Timóteo continua lutando, dentro e fora dos tatames. Mas o fato de um campeão precisar vender água em sinais de trânsito para buscar recursos revela mais do que uma dificuldade individual: evidencia a ausência de uma política esportiva capaz de oferecer o suporte necessário a quem representa o estado com dedicação e resultados. O Maranhão possui atletas vencedores. O que falta, muitas vezes, é um governo disposto a tratá-los como prioridade.
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