Home Geral Quase 6 mil moradores vivem em áreas sujeitas a deslizamentos e alagamentos em São Luís
Geral

Quase 6 mil moradores vivem em áreas sujeitas a deslizamentos e alagamentos em São Luís

Compartilhe
Compartilhe

Um levantamento realizado pelo portal Atual7, com base em dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), aponta que aproximadamente 6 mil pessoas vivem atualmente em áreas classificadas como de risco em São Luís. As regiões estão sujeitas a deslizamentos de terra, enchentes, alagamentos e processos erosivos, especialmente durante o período chuvoso.

De acordo com o estudo, a capital maranhense possui 87 áreas de risco oficialmente identificadas. Deste total, 31 estão localizadas na região do Itaqui-Bacanga, uma das mais vulneráveis da cidade.

Entre os bairros apontados está o Sá Viana, onde moradores convivem diariamente com o temor de acidentes provocados pelo avanço de encostas e pelo acúmulo de água das chuvas. Relatos colhidos pelo portal revelam uma rotina marcada por insegurança, prejuízos materiais e constantes pedidos de intervenção do poder público.

Moradora da Rua Nova desde 2012, Neyde Costa afirma que as chuvas intensas ampliam os riscos de desabamentos e colocam diversas famílias em situação de vulnerabilidade. Segundo ela, em uma das ocorrências mais graves registradas na comunidade, moradores precisaram retirar lama e água de residências ameaçadas por uma barreira prestes a ceder.

Diante da ausência de obras definitivas de contenção, moradores passaram a promover ações coletivas para minimizar os riscos. Em vários pontos do bairro, famílias arrecadam recursos próprios para construir muros, sistemas de drenagem e estruturas improvisadas de proteção.

A aposentada Gorete Cutrim, residente há cerca de três décadas na região, relata que precisou recorrer a empréstimos para realizar intervenções em sua propriedade. Ela afirma que parte da residência de um de seus familiares já foi atingida por deslizamento de terra, aumentando a preocupação dos moradores.

Situação semelhante é vivida por Marcelo Carvalho, que mora no bairro há aproximadamente 30 anos. Segundo ele, mutirões comunitários têm sido organizados para remover lama e conter danos provocados pelas chuvas. Apesar dos esforços, os moradores consideram que as medidas adotadas são insuficientes diante da gravidade do problema.

A falta de alternativas habitacionais também contribui para a ocupação contínua de áreas vulneráveis. Muitas famílias permanecem nesses locais por não terem acesso a moradias em regiões mais seguras.

Especialistas apontam que a expansão urbana desordenada e o déficit habitacional estão entre os principais fatores que explicam a ocupação dessas áreas. O geógrafo Luiz Eduardo Neves dos Santos, professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), destaca que encostas, manguezais e terrenos ambientalmente frágeis acabam sendo ocupados por populações de baixa renda excluídas do mercado formal de moradia.

Segundo o pesquisador, as características geológicas de São Luís também contribuem para o agravamento dos riscos, uma vez que os solos sedimentares tendem a perder estabilidade durante períodos de chuvas intensas, favorecendo a ocorrência de deslizamentos.

Os dados analisados pelo Atual7 mostram ainda que a Defesa Civil registrou 257 ocorrências e realizou 245 vistorias técnicas em áreas de risco entre janeiro e maio deste ano. Embora exista um Plano Municipal de Contingência atualizado para monitoramento dessas regiões, não há informações detalhadas sobre a execução de obras estruturais decorrentes das recomendações técnicas emitidas.

Durante audiência pública promovida pelo Ministério Público do Maranhão, moradores do Sá Viana voltaram a reivindicar investimentos em drenagem e contenção de encostas. A principal demanda da comunidade é a realização de intervenções definitivas que garantam segurança às famílias e reduzam os riscos de tragédias durante os períodos de chuva.

Procuradas pelo Atual7, a Defesa Civil Municipal, a Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos (Semosp) e a Prefeitura de São Luís não haviam se manifestado sobre os questionamentos apresentados até a publicação da reportagem.

*Com informações do portal Atual7.  


Descubra mais sobre Jornal Itaqui-Bacanga

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Descubra mais sobre Jornal Itaqui-Bacanga

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading