O Maranhão concentra oito dos dez municípios com os piores indicadores de qualidade de vida do Nordeste, segundo os resultados do Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, estudo que avalia o desenvolvimento social e ambiental dos 5.570 municípios brasileiros. O levantamento evidencia as dificuldades enfrentadas por diversas cidades maranhenses em áreas fundamentais para o bem-estar da população, como saúde, educação, saneamento e oportunidades de desenvolvimento.
Entre os municípios analisados, Peritoró apresentou o pior desempenho da região Nordeste e um dos mais baixos do país. Com pontuação de 47,53 em uma escala que varia de zero a 100, a cidade ocupa a 5.555ª posição no ranking nacional, figurando entre os últimos colocados entre todos os municípios brasileiros avaliados.

Além de Peritoró, outras sete cidades maranhenses aparecem entre as dez piores colocadas da região: Cajari, Marajá do Sena, Amarante do Maranhão, Fernando Falcão, São Félix de Balsas, Arame e Montes Altos. Completam a lista apenas dois municípios de outros estados nordestinos: Camamu, na Bahia, e Carnaubeira da Penha, em Pernambuco.
O estudo chama atenção para a concentração dos baixos índices em municípios maranhenses, reforçando os desafios históricos relacionados à oferta de serviços públicos essenciais e às condições de desenvolvimento socioeconômico em diversas regiões do estado.
Entre os indicadores analisados, Peritoró apresentou desempenho especialmente preocupante na área educacional. O município registrou sua pior avaliação no componente relacionado ao acesso à educação superior, que considera fatores como o nível de escolaridade da população economicamente ativa e o desempenho dos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Na área da saúde, os dados também revelam um cenário alarmante. Segundo o IPS Brasil 2026, Peritoró obteve a menor pontuação do país no componente de nutrição e cuidados médicos básicos. O indicador reúne informações sobre cobertura vacinal, mortalidade infantil, internações por condições que poderiam ser evitadas na atenção primária e índices de subnutrição, considerados fundamentais para medir a qualidade da assistência básica oferecida à população.
O Índice de Progresso Social é elaborado a partir de 57 indicadores oficiais obtidos em bases públicas de dados. Diferentemente de levantamentos focados apenas na atividade econômica, o IPS busca medir a capacidade dos municípios de transformar recursos e investimentos em qualidade de vida para seus habitantes.
A metodologia está estruturada em três grandes dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades. Essas áreas abrangem indicadores relacionados à saúde, educação, segurança pública, habitação, saneamento básico, acesso à informação, inclusão social, direitos individuais e qualidade ambiental.
Especialistas apontam que os resultados servem como importante instrumento para orientar políticas públicas e identificar setores que demandam maior atenção dos gestores. No caso do Maranhão, os números reforçam a necessidade de investimentos contínuos em educação, saúde preventiva, infraestrutura urbana e ampliação do acesso a serviços essenciais, sobretudo nos municípios do interior.
O levantamento também evidencia que o desenvolvimento social não depende exclusivamente do crescimento econômico, mas da capacidade de transformar recursos em melhores condições de vida para a população. Nesse contexto, os dados do IPS Brasil 2026 revelam a urgência de ações estruturantes capazes de reduzir desigualdades históricas e promover avanços concretos nos indicadores sociais dos municípios maranhenses.
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