Uma ampla operação deflagrada na manhã desta segunda-feira (15) pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), com apoio da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) e da Polícia Militar, resultou na apreensão de uma grande quantia em dinheiro vivo, veículos de luxo, equipamentos eletrônicos e uma arma de fogo durante o cumprimento de mandados judiciais em São Luís.

Entre os alvos da Operação Benedictio está o vereador de São Luís, Beto Castro. Na residência do parlamentar, os investigadores encontraram aproximadamente R$ 715 mil em espécie distribuídos em diferentes cômodos do imóvel. De acordo com informações da força-tarefa, cerca de R$ 400 mil foram localizados em um ambiente da casa, enquanto outros R$ 315 mil estavam guardados em outro local.
Além do dinheiro, os agentes apreenderam uma arma de fogo de uso restrito, aparelhos celulares e um veículo de luxo. Em razão da posse da arma, o vereador foi conduzido e autuado em flagrante durante o cumprimento das medidas judiciais.

A operação foi autorizada pela Vara Especial Colegiada dos Crimes Organizados, que expediu 17 mandados judiciais, sendo sete de prisão preventiva e dez de busca e apreensão. As medidas atingiram investigados apontados como integrantes de uma suposta organização criminosa especializada no desvio de recursos públicos destinados a projetos sociais financiados por convênios e emendas parlamentares.

As investigações apontam que o grupo teria causado um prejuízo estimado em R$ 9,6 milhões aos cofres públicos. Segundo o Ministério Público, os recursos que deveriam ser utilizados em ações voltadas à população em situação de vulnerabilidade teriam sido desviados por meio de uma complexa estrutura composta por empresas de fachada, operadores financeiros, agentes políticos e colaboradores encarregados de ocultar a origem e o destino do dinheiro.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de prisão preventiva contra Evania Maria Sousa Nicacio, Lucivânia Martins Alves Siqueira, José Roberto Santos Cunha e Cristiana Serra Duarte Cunha. As equipes também realizaram buscas em diversos endereços ligados aos investigados.
As apurações tiveram início a partir da análise de prestações de contas relacionadas à aplicação de recursos públicos. Ao longo da investigação, foram utilizados relatórios de inteligência financeira, quebras de sigilo autorizadas judicialmente, interceptações telemáticas e diligências de campo conduzidas por equipes especializadas.
Outro aspecto que chamou a atenção dos investigadores foi a possível ligação da organização com atividades criminosas em comunidades da capital maranhense. Conforme os elementos reunidos durante a investigação, parte dos recursos desviados teria sido utilizada para financiar uma estrutura de proteção privada ligada, à época dos fatos investigados, ao Primeiro Comando do Maranhão (PCM), organização criminosa com atuação em áreas da Grande São Luís.

De acordo com o Ministério Público, essa estrutura teria sido empregada para garantir proteção aos líderes do esquema e exercer influência sobre moradores de regiões onde o grupo possuía atuação, fortalecendo o domínio territorial e dificultando a atuação das autoridades.
Ao justificar as prisões preventivas, a Justiça destacou que os indícios apontam para a continuidade das atividades da organização criminosa, tornando necessária a adoção das medidas para interromper a suposta atuação do grupo, evitar novos delitos e preservar a ordem pública.
Durante as diligências, os agentes também apreenderam computadores, notebooks, documentos, registros contábeis, mídias digitais, armas e outros veículos de alto valor. Todo o material será submetido à análise pericial, especialmente os dispositivos eletrônicos, que serão encaminhados ao Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro do Ministério Público para extração e exame de dados.

Segundo o coordenador do Gaeco, promotor Haroldo Paiva de Brito, a operação representa o resultado de uma investigação desenvolvida em várias etapas e baseada em um amplo conjunto de provas. Ele destacou ainda a importância da integração entre os órgãos de investigação e inteligência para o sucesso da ação.
O nome da operação, Benedictio, deriva da palavra latina “Benedictus”, que significa “abençoado”, em referência ao Instituto Sê Tu Uma Bênção, entidade que está no centro das apurações. Conforme o Ministério Público, a denominação simboliza o contraste entre a finalidade social atribuída à instituição e os fatos investigados, que apontam para o possível uso da entidade como instrumento para o desvio de recursos públicos.

A Operação Benedictio integra uma mobilização nacional coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), reunindo ações simultâneas em diferentes estados brasileiros voltadas ao enfrentamento da corrupção, da lavagem de dinheiro e das organizações criminosas.
As investigações prosseguem e novas diligências não estão descartadas. Os órgãos envolvidos buscam agora aprofundar a análise do material apreendido e rastrear o destino dos recursos supostamente desviados, além de identificar eventuais outros envolvidos no esquema investigado.
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