Home Manchete Reportagem conta detalhes da teia criminosa da Família Brandão e aliados em caso de assassinato
Manchete

Reportagem conta detalhes da teia criminosa da Família Brandão e aliados em caso de assassinato

Compartilhe
Compartilhe

Um assassinato em São Luís do Maranhão há exatos quatro anos se tornou o lado mais obscuro da política.Assim descreve o caso  a reportagem  da Revista eletrônica ‘Carta Capital’, com a seguinte manchete: Teia Criminosa’. A reportagem destaca que o governador do estado do Maranhão  é apontado pela Polícia Federal como o ”provável líder” de uma organização espalhada pelos poderes locais.

Por trás da cortina de fumaça criada para tornar vítima um blogueiro abastecido de informações sensíveis sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), estava o real propósito  um aviso ao magistrado Flávio Dino: Ele e os filhos estavam  sendo monitorados. O que se sabe é que Brandão vivia apreensivo com a possibilidade de ser preso a qualquer momento por ordem do juiz. A motivação da possibilidade de prisão estava diretamente ligado do assassinato do famoso caso Tech Office, ocorrido no dia 19 de agosto de 2022.

O local é um edifício empresarial de alto padrão, onde figuras influentes da política, judiciário e empresarial mantém  salas alugadas para tratar de negócios dos mais variados tipos.

A reportagem traz à luz Gilbson Júnior como peça chave. Ele tem negociado delação premiada junto à PF para relatar os detalhes do episódio, que segundo fontes envolve diretamente o governador Carlos Brandão (MDB), o irmão Marcus Brandão, apontado como o cabeça da família e o articulador das operações financeiras, ele é o pai do do candidato Orleans Brandão (MDB) que disputa a sucessão do tio ao governo do Maranhão. Outro nome apontado na teia criminosa é Daniel Brandão, também sobrinho do governador e filho de José Henrique Brandão, ex-prefeito de Colinas, reduto eleitoral, com cerca de 40 mil habitantes, a 440 km da capital São Luís.

Daniel que aparece na cena do crime de assassinato estava desde 2023 no Tribunal de Conta do Estado do Maranhão (TCE-MA) escolhido pelo tio governador e comandava o órgão, mas recentemente por decisão do ministro Flávio Dino foi afastado do comando do TCE-MA.

Conforme a Carta Capital, Júnior relatou dois depoimentos na esfera federal desde que o caso subiu para a instância superior. Sendo que a primeira ocorreu em junho de 2025, a um procurador da República e uma delegada da PF, logo após ser transferido de um presídio do Maranhão para um outro em Brasília.

A mudança foi motivada após a esposa de Gilbson Júnior, Lorena Santos procurar o Ministério Público e relatar que o marido parecia doente e lançar suspeita de que ele estava sendo morto aos poucos por meio de medicamentos extremamente agressivos que o levaria a óbito, assim afirma uma fonte com acesso aos fatos. Diante da realização de exames, o caso subiu ao Superior Tribunal e 2025, que culminou na abertura de uma investigação sobre as autoridades maranhenses e na transferência do preso para Brasília.

Já em um novo depoimento à PF, Júnior começa a relatar o que de fato teria acontecido, em um depoimento explosivo, que contém trechos divulgados em uma decisão do dia 17 de agosto, assinada por Dino. Nela o depoente afirma; ”pegava dinheiro para a família Brandão, ”para levar pro Carlos, inclusive levei valores para dentro do palácio dos Leões, sede do governo estadual). O montante seria entregue ”pro Daniel”. Júnior foi interrogado dez dias após a ocorrência na Polícia Civil e o delegado teria escrito em um papel ”Danile”, referência para que ele não falasse aquele nome no depoimento. ”O meu depoimento, ele foi ensaiado na mesa do delegado”, asseverou. Júnior disse que o sobrinho do governador teria organizado a cena que terminou com o desfecho trágico do assassinato.

Na época Daniel era lotado como assessor especial do governador Carlos Brandão.

Diante do cenário, ficou aberto uma lacuna de indagações que envolve a família Brandão e outras figuras, destaca a reportagem. Qual a ligação de Daniel com o assassinato? Porque e o que ele conversou com João Bosco que já tinha uma ficha corrida em crimes? O que fazia o vereador da capital na cena do crime, uma vez que ele chegou ao local junto com João Bosco? Qual a motivação de um desentendimento entre os envolvidos na cena, conforme os registros e gesticulações das pessoas pegos pelas câmeras de segurança?

Outro ponto relatado por Júnior foi que  ali no Tech Office na presença de Daniel estaria sendo tratado um esquema de propina e de caixa de campanha para a reeleição de Carlos Brandão. Gilbson estaria a serviço da família  do governador há pelo menos dois anos, primeiro em invasões de terras, em seguida como captador de recursos financeiros da família.

E o vereador que chega com João Bosco quem é? Trata-se de Beto Castro (Avante), que visa a presidência da Câmara de São Luís para o próximo Biênio e conta com apoio do grupo Brandão. Há dois meses, Castro foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público estadual por destinar verba de emendas parlamentares a um esquema que envolve uma facção criminosa ligada à facção criminosa Comando Vermelho. Bosco era quem cobrava dinheiro em nome dele quando Castro precisava. assim afirmou a vivuva em depoimento. Ainda, o que se sabe é que a reunião que culminou em um cadáver estendido seria para um acerto de uma dívida. No seu depoimento Beto mente ao dizer que só estava passando pelo local no momento do crime e apenas teria cumprimentado  Daniel e Júnior, uma vez  que as câmeras registraram ele chegando junto com João Bosco.

Beto teria entrado em uma negociação para liberar por meio de sua influência política um recurso travado na Secretaria de Educação em favor da empresa SH Vigilância, em troca seria recompensado pela empresa com uma fatia. O valor que o vereador conseguiu a liberação foi de R$ 778.000,00. Porem Júnior alegou que houve uma divergência pois Beto teria crescido o olho e queria um valor maior do que o combinado. O sobrinho do governador teria organizado a reunião do Edifício Tech Office, e lá teria tomado partido em favor de Beto. Após a ocorrência, segundo uma fonte, uma reunião restrita, na casa de Heloísa Brandão (mãe do governador) foi realizada logo após o crime já no período da noite com a presença de Castro e a presença de outras figuras de peso do círculo de confiança da família Brandão. O vereador foi orientado a mentir.

Para não falar a verdade, e afastar de qualquer cenário ligado ao assassinado, Gilbson Júnior em depoimento afirmou que recebeu a quantia de R$ de 160.000,00 em espécie das mãos de seu tio que é muito próximo a família Brandão e em 2025 ocupou uma secretaria de estado até 2026, quando por decisão do STF foi afastado do caso por obstrução de justiça e preso de forma domiciliar. O tio foi o mensageiro e elo para entregar a vultuosa quantia em dinheiro que Marcus Brandão havia mandado em troca do silêncio e ocultação do nome de Daniel e Carlos Brandão na cena do crime.

Um novo fato faz o caso parar no STF. A citação do nome do senador do PDT, Weverton Rocha, que tentou influenciar o juiz do caso no STJ, Humberto Martins, em favor dos interesses da família Brandão. A PF conseguiu descobrir após vasculhar o celular do parlamentar ser alvo em outra investigação  sobre desvios de aposentadoria do INSS. Outra investigação vai para no STF. Dessa um blogueiro identificado como Luís Pablo que recebeu informações sensíveis de Raimundo Cutrim, tio de Gilbson e secretário de estado do governo Carlos Brandão, monitorando a vida de Dino e dos filhos quando estavam em São Luís. O monitoramento, as matérias de difamação e o desgaste contra Dino tinham como objetivo intimidá-lo. Grande parte da mídia passou a massificar como pretexto que o sigilo da fonte do blogueiro havia sido violado, porém, estava sendo cometido um crime de  gravidade contra o ministro Dino. Não foi violada o direito do jornalista, e sim combatido um crime de espionagem ilegal contra o ministro.

Há três mês Gilbson  está na medida do semi-aberto. Nesta semana, ele divulgou um vídeo na qual lança suspeita sobre a morte do maior agiota do Maranhão, o Pacovan. Na gravação, Gilbson afirma categoricamente que Iracema Vale, presidente da Assembleia, Carlos Brandão e Marcus Brandão estavam totalmente ligados a eles. ”A morte de Pacovan está totalmente ligada a eles, o Francisco foi dizer que foi Iracema, Marcus e Carlos”, disse.