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Múmia andina de 700 anos revela bactéria contagiosa e desafia teorias sobre doenças nas Américas

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A descoberta de uma múmia de aproximadamente 700 anos, encontrada no planalto andino da Bolívia, está redefinindo o entendimento científico sobre a origem e a circulação de doenças infecciosas nas Américas. Pesquisadores identificaram, por meio de análises de DNA antigo, a presença da bactéria Streptococcus pyogenes em restos humanos datados entre os anos de 1283 e 1383.

O estudo, publicado na revista científica Nature, representa a primeira evidência confirmada desse patógeno — conhecido por causar infecções como escarlatina e faringites — em populações pré-colombianas, muito antes da chegada dos europeus ao continente.

A análise foi realizada a partir de um dente da múmia, permitindo a reconstrução quase completa do genoma da bactéria. Os resultados surpreenderam os cientistas ao revelar que a cepa antiga apresenta grande semelhança com as variantes modernas ainda em circulação.

A descoberta indica que o microrganismo já estava presente e em processo de evolução na região andina séculos antes do contato europeu. Especialistas apontam que mudanças sociais, deslocamentos populacionais e a interação com novos ambientes e animais podem ter favorecido a disseminação do patógeno.

Os restos mortais pertencem a um jovem adulto do sexo masculino, sepultado em uma “chullpa”, estrutura funerária típica das culturas andinas. Ele viveu durante o chamado Período Intermediário Tardio, fase marcada por transformações políticas e culturais após o declínio da civilização Tiwanaku e antes da consolidação do Império Inca.

Exames adicionais indicam que o indivíduo apresentava sinais de desnutrição, condição que pode ter comprometido o sistema imunológico e contribuído para o avanço da infecção.

Até então, grande parte das doenças infecciosas nas Américas era associada ao intercâmbio biológico após 1492. No entanto, a nova evidência sugere que o cenário epidemiológico pré-colonial era mais complexo do que se imaginava.

O estudo reforça o papel da paleogenética na reconstrução da história das doenças e destaca como fatores sociais e ambientais influenciaram a saúde das populações antigas ao longo dos séculos.