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Mais de 550 deepfakes invadem as redes sociais durante a campanha

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Levantamento do projeto VigIA aponta que a maioria das peças com inteligência artificial não trazia sinalização obrigatória; candidatos e partidos assinam 29 das publicações fraudulentas

Pelo menos 554 vídeos e imagens produzidos ou manipulados com inteligência artificial no formato deepfake circularam nas redes sociais durante a campanha para o primeiro turno das Eleições Gerais de 2026. O dado integra um relatório do projeto VigIA, desenvolvido pela agência de checagem Lupa em parceria com o Laboratório de Inteligência Artificial (Recod.ai) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Do total de conteúdos identificados entre 16 de agosto e 28 de setembro, 29 foram publicados diretamente por perfis oficiais de candidatos ou partidos — prática que descumpre as diretrizes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pode acarretar sanções eleitorais.

Os deepfakes — conteúdos alterados digitalmente para simular ações ou falas de pessoas reais — representaram 60% de todas as 920 publicações com uso confirmado de IA monitoradas no período. Entre os episódios registrados, figuram simulações de jornalistas anunciando notícias falsas e apresentações fraudulentas de celebridades declarando apoio a candidaturas.

Falta de sinalização e anonimato

A legislação eleitoral permite a utilização de inteligência artificial em peças publicitárias e de propaganda, desde que haja aviso explícito ao espectador. No entanto, o levantamento indica um descumprimento generalizado da norma: das 920 publicações analisadas, apenas 371 (cerca de 40%) apresentavam o selo de identificação exigido pela Justiça Eleitoral. As outras 549 circularam sem qualquer alerta — sendo 75 delas veiculadas por postulantes a cargos públicos ou por suas legendas.

A grande massa das produções enganosas (525 conteúdos) partiu de usuários comuns e perfis anônimos. A pulverização do material no ambiente digital e a dificuldade de rastreamento das contas colocam em xeque a capacidade de fiscalização do pleito, exigindo uma atuação integrada entre o Judiciário e as plataformas de tecnologia.

Lula e Flávio Bolsonaro lideram aparições

A corrida presidencial concentrou a maior parte do material analisado pela pesquisa. O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi o principal alvo do uso da tecnologia, figurando em 379 publicações. Do volume que envolveu o petista, 39% possuíam viés humorístico ou satírico, enquanto 34% tinham como objetivo atacar sua candidatura.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece na segunda posição do levantamento, presente em 190 peças. Diferente do padrão observado em relação ao chefe do Executivo, 40% das publicações envolvendo Flávio buscavam favorecer sua imagem, ao passo que 28% apostavam na sátira.

Na contagem geral dos autores mapeados pelo projeto, 47% dos conteúdos foram postados por perfis comuns, 27% por contas não identificadas e 24,5% por canais oficiais de campanhas.

Metodologia de checagem

Ao todo, o projeto VigIA capturou 1.941 conteúdos político-eleitorais com indícios de alteração. As peças passam por uma triagem que combina três softwares de varredura automatizada desenvolvidos pela Unicamp com a verificação analítica de checadores de fatos. Além dos deepfakes, o monitoramento contabilizou conteúdos sintéticos — materiais em que a IA é empregada para criar cenários ou objetos sem simular a conduta direta de uma figura pública.

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