Uma onda de sensacionalismo e até de vitimismo tem cercado as investigações autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que identificou uma organização criminosa formada por advogados e um blogueiro identificado como Luís Pablo. O grupo atuava no monitoramento ilegal do ministro Flávio Dino e de seus familiares, incluindo seus filhos menores de idade.
Segundo o que apuraram as investigações até o momento, a rotina dos familiares e do próprio ministro era vigiada por meio de informações sensíveis obtidas de forma criminosa.
A apreensão dos equipamentos eletrônicos revelou que não se tratava de investigação jornalística, mas de um monitoramento implacável e ilegal contra o ministro, avançando do âmbito público para a esfera estritamente privada. Conforme os autos, o objetivo do blogueiro não era publicar matérias de interesse público, mas sim desgastar a imagem de Flávio Dino.
Consta nas investigações que um advogado ligado à operação repassou R$ 100 mil a Luís Pablo. Os indícios confirmam que a quantia foi o pagamento recebido para a publicação das reportagens encomendadas. Diante disso, cabem os questionamentos: de onde veio esse dinheiro, esses R$ 100 mil reais? Quem financiou e quem teve interesse em pagar o blogueiro para ele expor matérias desse nível contra o ministro?
Um advogado em questão foi identificado como sendo Diogo Diniz Lima, que é ex-secretário municipal de Urbanismo e Habitação de São Luís (Semurh), na gestão de Edivaldo Holanda Junior, e curiosamente hoje é candidato a vice na chapa de Orleans Brandão. Diogo também trabalha com corretagem de terras. A Polícia Federal tem que continuar investigando essa organização, que tem o claro objetivo de difamar o STF e os ministros da Corte, incluindo como principais alvos Flávio Dino e Alexandre de Moraes, o que configura crime. Ainda há fortes suspeitas, segundo fontes, de que as matérias em veículos nacionais sobre o caso estão sendo financiadas para causar grande repercussão; ao que tudo indica, há possíveis digitais do sistema governamental e do grupo Brandão por trás desse grande esquema. O conteúdo atendia diretamente aos anseios do grupo Brandão, que hoje controla o Estado do Maranhão e tenta consolidar uma oligarquia familiar.
Diante dos fatos, cabem os questionamentos: isso é profissionalismo? É jornalismo sério? Pode um blogueiro reincidente na Polícia Federal, inclusive por acusação de extorsão, alegar o livre exercício da profissão para cometer crimes?
Não se trata do uso legítimo de uma fonte; trata-se de um crime de grandes proporções que ameaça a integridade do ministro e de sua família. O comportamento do blogueiro e dos demais integrantes dessa ação ultrapassa qualquer limite e configura clara perseguição.
O jornalismo sério precisa e deve ser respeitado. O sigilo da fonte é garantido pela Constituição Federal, mas isso não significa que a Carta Magna acoberte práticas criminosas. Trata-se de uma conduta que viola direitos fundamentais, transcende a vida pública e atinge a vida particular não apenas do ministro, mas de sua família.
O jornal Itaqui-Bacanga, ao longo de todos esses anos, sempre atuou com respeito e manteve uma linha editorial crítica aos desmandos praticados nas mais diversas áreas, mas sempre pautado nas leis. Os proprietários deste veículo, inclusive, já estiveram em situação oposta.
Na ocasião, ao veicularem uma matéria de interesse público envolvendo o vereador Beto Castro e um delegado — embasada em fatos verídicos e provas de domínio público —, o jornal e seus proprietários foram alvos de uma ação da Polícia Civil do Maranhão, em um inquérito sem fundamentação e conduzido fora da jurisdição adequada. Tudo foi orquestrado para atender a interesses do grupo governista, que tentava intimidar e calar a voz de um veículo de imprensa livre.
Mesmo diante daquele fato, em nenhum momento houve solidariedade de qualquer entidade de jornalismo ou apoio de autoridades. Evidencia-se a prática de dois pesos e duas medidas. Trata-se de um cenário totalmente diferente: enquanto este jornal trabalhou com matérias baseadas em provas de fácil acesso público, o caso atual envolve um blogueiro que utilizou informações sensíveis e restritas, obtidas e repassadas de forma criminosa.