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Felipe Camarão cobra explicações sobre descarte e contratos de R$ 242 milhões em livros na Seduc

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Vice-governador denuncia descarte de material novo e exige transparência em compras investigadas pela PF por suspeita de desvio de verbas do Fundef.

O vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão, usou suas redes sociais para cobrar explicações públicas sobre suspeitas que cercam aquisições de livros didáticos pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc-MA), em contratos que somam R$ 242 milhões. A cobrança ocorre após o surgimento de denúncias de que exemplares novos e ainda lacrados foram descartados no lixo — como no episódio do início do mês, quando volumes da rede estadual foram localizados em um ecoponto no bairro do Filipinho.

“O Maranhão merece explicações!”, afirmou o vice-governador, que questionou se os exemplares descartados integram os lotes recentemente adquiridos, quem autorizou o descarte e os motivos pelos quais o material não chegou às salas de aula. Camarão exigiu a apresentação imediata dos contratos, notas fiscais e comprovantes de distribuição. “Dinheiro da educação exige transparência. Livro é para estar nas mãos dos nossos estudantes!”, pontuou.

Contratos na mira da Polícia Federal

As aquisições da Seduc-MA estão sob apuração da Polícia Federal por suspeita de irregularidades no uso de recursos dos precatórios do Fundef. A maior fatia das contratações envolve o Instituto Nacional Veritas de Cultura LTDA, de São Paulo. Fundada em março de 2025 com capital social de R$ 600 mil e sem sede própria identificada, a empresa recebeu R$ 200,6 milhões por meio de adesão a uma ata de registro de preços do estado de Santa Catarina. O montante foi quitado em tempo recorde no mês de julho de 2026. A referida empresa já é alvo de determinações de suspensão de pagamentos pelo Tribunal de Contas e pelo Ministério Público Federal em Rondônia por práticas semelhantes.

O conjunto de denúncias aponta ainda a contratação da empresa paranaense STEM Educacional por R$ 42,2 milhões — valor R$ 10 milhões superior ao de uma licitação própria da Seduc que acabou interrompida —, além do armazenamento irregular de acervos em um galpão privado no bairro Renascença, em vez do Almoxarifado Central do Estado. Investigações apuram o envolvimento de lobistas e a omissão dos dados no Portal da Transparência, no que pode se configurar em um dos maiores esquemas de desvio de verbas públicas da história recente do Estado.

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