O percentual de famílias brasileiras com algum tipo de dívida alcançou o maior patamar da série histórica em maio deste ano. Levantamento divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revela que 81,6% dos lares do país possuem compromissos financeiros em aberto, evidenciando o crescente peso das obrigações de crédito sobre o orçamento doméstico.
O índice superou os 80,9% registrados em abril e também ficou acima dos 78,2% observados no mesmo período do ano passado. A pesquisa considera modalidades como cartão de crédito, empréstimos pessoais, crédito consignado, financiamentos, carnês de lojas e cheque especial.
Os números refletem um cenário em que muitas famílias recorrem ao crédito para complementar a renda e manter despesas básicas diante do aumento do custo de vida. Ao mesmo tempo, a inadimplência também apresentou avanço. O percentual de famílias com contas em atraso chegou a 29,9%, registrando leve crescimento em relação ao mês anterior.
Apesar da elevação dos índices, a parcela de brasileiros que afirmam não ter condições de quitar as dívidas vencidas permaneceu estável em 12,3%, indicando que parte dos consumidores ainda busca alternativas para reorganizar as finanças.
A pesquisa mostra que o endividamento afeta diferentes faixas de renda, embora seja mais intenso entre as famílias de menor poder aquisitivo. Entre aqueles que recebem até três salários mínimos, o índice atingiu 84,6%. Na faixa entre três e cinco salários mínimos, o percentual chegou a 83,1%.
Mesmo entre os grupos de renda mais elevada, os números permanecem expressivos. Entre as famílias com rendimento superior a dez salários mínimos, mais de sete em cada dez relataram possuir algum tipo de dívida. Apenas a faixa de renda entre cinco e dez salários mínimos apresentou leve redução no nível de endividamento, embora o percentual continue próximo de 80%.
Os dados foram divulgados em meio aos esforços do governo federal para ampliar a renegociação de débitos por meio do programa Desenrola. Segundo informações oficiais, a iniciativa já permitiu a renegociação de bilhões de reais em dívidas e beneficiou mais de um milhão de brasileiros desde sua implementação.
Especialistas avaliam que, embora programas de renegociação possam aliviar parte da pressão financeira das famílias, o elevado nível de endividamento continua sendo um desafio para a economia. O cenário exige atenção tanto dos consumidores quanto das instituições financeiras, especialmente diante da necessidade de equilibrar renda, consumo e acesso ao crédito.
O levantamento da CNC reforça que o comprometimento da renda com dívidas permanece em trajetória de crescimento, revelando as dificuldades enfrentadas por milhões de brasileiros para manter as contas em dia e preservar a estabilidade financeira dos lares.
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