Uma fala do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), colocou os bastidores da capital federal em estado de atenção e acendeu o sinal de alerta no meio jurídico. Ao se justificar pelo atraso em uma sessão da Corte, o magistrado afirmou em tom descontraído que o motivo da demora era porque estava “decretando prisão de gente”. O comentário ocorreu durante o julgamento de um recurso referente ao ministro Alexandre de Moraes e a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
A declaração não repercutiu apenas em Brasília, mas abalou fortemente a política do Maranhão, onde diversos políticos já colocaram as barbas de molho. O estado carrega um histórico marcado por um grave lastro de corrupção, e o clima é de apreensão, especialmente entre aliados e integrantes da base governista maranhense, apontados nos bastidores como os principais suspeitos na mira das apurações do STF.
O clima de apreensão é amplificado pelo peso das matérias sob a relatoria do ministro. Dino conduz inquéritos sensíveis, como as investigações sobre o filme “Dark Horse”, a apuração sobre desvios em emendas parlamentares envolvendo o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) e uma apuração contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suspeita de tráfico de influência.
No plenário, a fala surgiu durante um diálogo ameno sobre a sobrecarga de trabalho com o presidente do STF, ministro Edson Fachin. Dino mencionou uma esquete do humorista Fábio Porchat sobre a rotina exaustiva de plantões judiciais e a publicação de decisões fora do horário comercial: “Vossa Excelência viu o vídeo do Fábio Porchat? É um vídeo muito bom porque nós estamos parecidos. Eu cheguei atrasado porque eu estava decretando prisão de gente, porque é tanta petição, presidente”, comentou.
Em resposta, Fachin afirmou que sequer teve tempo de assistir ao conteúdo citado devido ao volume diário de demandas. “Estou vendo os ofícios que chegaram e eles são hemorrágicos”, pontuou o presidente da Corte.
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