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Aliado da corja Brandão, Weverton fazia pedidos, indicava beneficiários e cobrava pagamentos em esquema de lavagem de dinheiro, aponta a PF

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Investigações revelam centralidade do senador maranhense em engrenagem milionária sustentada por escritório de advocacia e empresas de fachada; familiares foram alvos de busca e apreensão autorizados pelo STF.

Aliado de primeira hora da corja Brandão — leia-se: o governador Carlos Brandão, o empresário Marcus Brandão e o candidato Orleans Brandão —, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) exercia papel central em uma complexa engrenagem de lavagem de dinheiro e ocultação de bens. As investigações da Polícia Federal (PF) apontam um grande esquema que envolve diretamente o parlamentar, sua família e operadores financeiros.

As conclusões dos investigadores constam na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou uma nova fase da Operação Sem Desconto. A apuração teve início após a identificação de suspeitas de corrupção e descontos indevidos em benefícios previdenciários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mas a perícia realizada no celular de Weverton revelou um “quadro mais amplo”, caracterizado pelo fluxo de milhões de reais em contas pessoais, familiares e empresariais, além do uso ostensivo de dinheiro em espécie.

Na última terça-feira (4), policiais federais cumpriram 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão. Embora o senador não tenha sido alvo direto das buscas, sua esposa, sua filha e duas irmãs foram alvo da ação, assim como o advogado e empresário Willer Tomaz.

O “Hub Financeiro” e a atuação da família

Segundo a PF, o grupo ligado a Willer Tomaz funcionava como um “hub financeiro, patrimonial e logístico” à disposição de Weverton Rocha. A estrutura envolvia fornecimento de empresas, imóveis, aeronaves executivas, pilotos e operadores. Entre as operadoras de destaque figura Fayla Zulmira Menezes, apontada como responsável pelo controle de saldos, entregas de valores em espécie e transferências.

Diálogos interceptados revelam que, entre setembro e outubro de 2024, Weverton cobrou expressamente um repasse de R$ 500 mil. Após consulta a Willer Tomaz, o numerário foi depositado na conta pessoal da esposa do parlamentar, Samya Lorene de Oliveira Bernardes Rocha. Relatórios policiais apontam que Samya recebeu mais de R$ 11 milhões de empresas vinculadas ao advogado.

No relatório encaminhado ao STF, a Polícia Federal detalha o papel do núcleo familiar do parlamentar no esquema:

Samya Rocha (Esposa): Vinculada à Rocha Holding Patrimonial, recebeu repasses expressivos e participava das tratativas de imóveis e despesas familiares;

Anna Catarina Viana Rocha (Filha): Gestora operacional dos postos Petro São Francisco e Petro São José, organizava listas de pagamentos, transferências, depósitos e simulação de contratos de empréstimo;

Geyse Rocha Linhares (Irmã): Administradora de propriedades rurais e empresas de radiodifusão do grupo, responsável pela documentação;

Shainess Kellmassen Rocha Marques (Irmã): Atuava como canal bancário de passagem para recebimento, depósitos de valores em espécie e redistribuição de recursos.

Esposa de Weverton, filhas e irmã estão no centro das investigações da PF que apura fraude milionária.

Mansão no Lago Sul e triangulação de postos

A investigação também apurou a aquisição de uma mansão no bairro nobre do Lago Sul, em Brasília, utilizada como residência por Weverton Rocha. Registros apontam que o senador negociou a compra por R$ 6 milhões (sendo R$ 4 milhões de sinal e R$ 2 milhões de saldo). No entanto, em abril de 2023, o imóvel foi registrado formalmente em nome da WT Administração de Imóveis e Bens, pertencente a Willer Tomaz. Para a PF, a dissimulação do domínio econômico real do bem é prova central de lavagem de dinheiro.

Outro pilar da organização funcionava através dos postos de gasolina Petro São Francisco e Petro São José. Mesmo com situação financeira deficitária, as contas das empresas serviam para a compra de fazendas, maquinários agrícolas e triangulação de recursos. Em julho de 2024, a construtora Qualitech Engenharia Ltda. transferiu R$ 5 milhões para a Petro São Francisco que, no mesmo dia, repassou a totalidade do valor para a empresa DJ Agropecuária, do grupo familiar.

Dinheiro vivo, jatinhos e apreensão

A Polícia Federal identificou intensa movimentação de valores em dinheiro vivo em datas coincidentes com voos privados entre Brasília e o Maranhão. Planilhas apreendidas indicam lançamentos de R$ 500 mil a R$ 1,5 milhão para custeio de aeronaves e hangares. A tese da apuração foi reforçada em maio de 2026, quando a PF apreendeu R$ 1 milhão em espécie em posse de um interlocutor que destinaria a quantia a um ex-assessor de Weverton.

Em mensagens registradas em abril de 2023, o senador orientava a filha a retirar “processos” e “páginas” na residência de um advogado — termos que a polícia interpreta como códigos para maços de cédulas. Em seguida, os valores eram depositados nas contas dos postos e repassados para a conta pessoal do parlamentar.

Outro lado

Em nota oficial, a defesa do senador Weverton Rocha afirmou que “todas as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais legítimas”. A defesa do advogado Willer Tomaz declarou que os repasses feitos à esposa do senador decorrem da prestação de serviços advocatícios junto ao seu escritório e reiterou que o empresário “jamais teve envolvimento com os fatos apurados na Operação Sem Desconto”.