Pesquisa do Instituto Luneta revela que o eleitorado lulista está pulverizado entre diferentes candidaturas, mas o apoio formal beneficia Felipe Camarão nesta reta final
Faltando apenas seis dias para a votação, o cenário político para o Governo do Maranhão aponta para uma dinâmica em que, do ponto de vista humano e político, apenas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva possui capital eleitoral suficiente para alterar o resultado das urnas. O peso da figura presidencial tornou-se o elemento central da reta final da disputa no estado, revelando nuances e contradições no comportamento do eleitorado local, segundo levantamento qualitativo realizado pelo Instituto Luneta.
A pesquisa, que cruzou a preferência para o governo estadual com a identificação entre Lula e Jair Bolsonaro, mostra que 66,47% dos eleitores de Eduardo Braide (PSD) se identificam mais com o atual presidente, contra 20,44% que preferem o ex-mandatário. Os dados apontam uma expressiva sobreposição entre os simpatizantes de Braide e o eleitorado lulista, a despeito de o candidato do PSD ter recusado uma aliança formal com o PT. Soma-se a isso o fato de sua chapa ter Lahesio Bonfim (Novo) na disputa pelo Senado — nome alinhado à extrema-direita e apoiado pela família Bolsonaro, que já declarou publicamente que atuará em oposição ao governo federal caso seja eleito.
A busca pelo eleitor lulista também marca a campanha de Orleans Brandão (MDB). No levantamento, 48,63% de seus eleitores declaram preferência por Lula, enquanto 40,41% apontam Bolsonaro. Embora a campanha de Orleans tente se aproximar do eleitorado de esquerda, análises mostram que a narrativa de um apoio oficial não se sustenta na prática, uma vez que o candidato do MDB não possui declarações formais de endosso vindas do presidente. Além disso, a forte ligação da família do emedebista com o setor do agronegócio — segmento historicamente alinhado à direita — justifica a margem expressiva de 40% de eleitores bolsonaristas em sua base.
Por outro lado, é Felipe Camarão (PT) quem concentra a associação mais direta com a figura de Lula. Entre seus eleitores, 90,38% se identificam com o presidente e apenas 5,77% com Bolsonaro. Diferentemente dos adversários, Camarão conta com o apoio oficial do presidente, materializado em fotos, cartazes, inserções de propaganda e na expectativa de uma visita de Lula ao estado nesta reta final para reforçar seu palanque e o da candidata ao Senado, Eliziane Gama. Essa vinculação direta ajuda a explicar o desempenho de Camarão como o nome de maior crescimento relativo na mais recente pesquisa Quaest/TV Mirante.
O estudo do Instituto Luneta evidencia que a militância e a simpatia por Lula encontram-se pulverizadas entre diferentes nomes no estado, divididas entre a preferência pessoal por Braide e Orleans e o alinhamento ideológico com Camarão. A dúvida decisiva para o dia da votação é se o eleitor dissociará a disputa federal da estadual ou se levará em conta o direcionamento explícito do presidente. Diante dessa equação, uma coisa é certa: no cenário de influência direta do Palácio do Planalto, Felipe Camarão é quem inicia a semana final com a maior vantagem estratégica.
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