Operação do STF mira esposa, filhas, irmã e advogados do parlamentar maranhense; investigação aponta repasse de R$ 11 milhões à mulher do senador em esquema ligado a fraudes no INSS

Em uma nova fase da Operação Sem Desconto, a Polícia Federal cumpriu 18 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra familiares e aliados do senador Weverton Rocha (PDT-MA). Durante o cumprimento dos mandados, agentes apreenderam volumosos maços de dinheiro em espécie e até uma máquina de contar cédulas em endereços ligados aos investigados.

A ofensiva teve como alvos a esposa do senador, Samya Rocha, suas filhas, sua irmã e advogados ligados ao parlamentar, como Willer Tomaz.
Repasses milionários
A decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, revela que a PF identificou a transferência de mais de R$ 11 milhões para a conta pessoal de Samya Rocha. Segundo os investigadores, os valores vieram de empresas vinculadas ao advogado Willer Tomaz, apontado como operador de um esquema de lavagem de dinheiro decorrente de fraudes em descontos associativos do INSS.
A investigação aponta que a conta de Samya era utilizada como alternativa para movimentar quantias elevadas. Em um dos diálogos interceptados, após o senador cobrar um repasse de R$ 500 mil, uma interlocutora confirma: “Informo que o valor já se encontra na conta PF da Dra. Samya”.
Núcleo familiar e “Hub Financeiro”
A Polícia Federal caracteriza a estrutura mantida por Willer Tomaz — composta por empresas, aeronaves e imóveis — como um verdadeiro “hub financeiro e patrimonial” voltado para ocultar bens do grupo.
Entre os alvos das buscas também está Anna Catarina Viana Rocha, filha de Weverton, indicada na apuração como gestora financeira e operacional de postos de combustíveis ligados à família. Os investigados respondem por suspeita de lavagem de dinheiro e organização criminosa.