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Maranhão registra 12ª maior incidência de denúncias de trabalho escravo no Brasil

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O Maranhão voltou a figurar, em 2025, entre os estados com maior número de denúncias de trabalho escravo no país, ocupando a 12ª posição no ranking nacional. Os dados reforçam que a exploração do trabalho em condições análogas à escravidão permanece como um problema estrutural e persistente no Brasil, distante de ser apenas uma herança do passado.

Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o Brasil registrou mais de quatro mil denúncias de trabalho escravo ao longo de 2025, número 14% superior ao do ano anterior. No Maranhão, foram contabilizadas 59 denúncias e 97 violações de direitos humanos relacionadas a esse tipo de prática.

As ocorrências se concentram principalmente nos municípios de São Luís, Grajaú, Imperatriz e Mirador, que lideram o número de registros no estado. As situações envolvem jornadas exaustivas, condições degradantes, restrição de liberdade e negação de direitos básicos, atingindo, sobretudo, pessoas em situação de vulnerabilidade social.

A realidade da exploração também marca histórias de vida. Aldenora Silva relata ter sido submetida ao trabalho doméstico forçado ainda na infância. Aos oito anos, foi entregue a uma família no interior do Piauí, onde viveu por três anos sem acesso à escola, ao lazer ou a qualquer direito fundamental. “Eu apanhava muito de chicote. Se o café não estivesse pronto quando ele chegava do curral, eu era castigada”, conta.

Especialistas alertam que o enfrentamento do trabalho escravo contemporâneo exige ações estruturais. Para a pesquisadora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Flávia Moura, o combate efetivo passa pela ampliação de políticas públicas básicas. “É fundamental investir em educação, saúde, moradia e trabalho para romper o ciclo que sustenta esse tipo de exploração”, afirma.