Atividade clandestina de extração de ouro em Centro Novo do Maranhão e Centro do Guilherme é associada a danos ambientais, riscos à saúde pública e outros crimes, segundo o órgão federal
O Ministério Público Federal (MPF) manifestou preocupação com o avanço do garimpo ilegal nos municípios de Centro Novo do Maranhão e Centro do Guilherme, situados na região do Gurupi, área de divisa entre os estados do Maranhão e Pará.
Segundo o órgão, a extração clandestina de ouro tem ocorrido sem o devido controle ambiental e está relacionada a uma série de impactos socioambientais. Entre os principais problemas apontados estão a contaminação de rios e solos por metais pesados, especialmente mercúrio, além de riscos à saúde das populações locais e prejuízos aos ecossistemas da região.
Relatos e imagens divulgados mostram áreas de garimpo em funcionamento, com trabalhadores atuando em condições precárias e utilizando substâncias químicas de forma inadequada. Especialistas alertam para os efeitos da atividade sobre a fauna aquática e as comunidades que dependem dos recursos hídricos da região.
De acordo com o procurador da República Alexandre Soares, fiscalizações realizadas em anos anteriores já haviam identificado extensas áreas degradadas e indícios de irregularidades relacionadas à atividade minerária. A região tem sido alvo de operações federais de combate ao garimpo ilegal nos últimos anos, incluindo ações da Polícia Federal com apreensão de equipamentos e cumprimento de mandados judiciais.
Recentemente, o MPF instaurou novos procedimentos administrativos com o objetivo de reforçar o enfrentamento à mineração irregular. No entanto, o órgão aponta dificuldades para a execução de medidas determinadas pela Justiça, em razão de limitações operacionais e da necessidade de reforço na segurança das equipes de fiscalização.
A Agência Nacional de Mineração (ANM) informou que busca ampliar a cooperação com forças policiais para viabilizar operações conjuntas na área. Segundo a agência, a complexidade do problema exige ações contínuas e integradas entre os órgãos responsáveis.
Além dos impactos ambientais, o MPF destaca que áreas ocupadas por garimpos ilegais podem favorecer a ocorrência de outros crimes, ampliando os desafios para o poder público.
Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão informou que mantém ações permanentes de combate aos crimes ambientais e ao crime organizado na região. As prefeituras de Centro Novo do Maranhão e Centro do Guilherme afirmaram que colaboram com os órgãos competentes nas atividades de monitoramento e fiscalização ambiental.
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