Estado concentra mais da metade das cidades brasileiras com os piores índices de profissionais por habitante; interior sofre com falta de infraestrutura e rotatividade de equipes.
O Maranhão abriga 63 dos 120 municípios brasileiros com a menor proporção de médicos por habitante, aponta um levantamento do Ministério da Saúde realizado a pedido da Controladoria-Geral da União (CGU). Nessas cidades, a média atinge 0,83 médico para cada mil habitantes — índice muito inferior à recomendação mínima de um profissional por mil moradores. Cidades como Fernando Falcão e Amapá do Maranhão figuram no topo da lista nacional de desertos assistenciais.
A escassez impacta diretamente o cotidiano de quem vive no interior. Em Bom Jardim, moradores de comunidades rurais como Gurvia e Palmeira Comprada precisam se deslocar até o povoado Casimiro para buscar atendimento, onde os serviços médicos funcionam apenas duas vezes por semana.
“Ah, se tivesse um posto seria melhor, né. Posto e médico. Porque se tiver posto e não tiver médico, não adianta quase nada” — desabafa a lavradora Maria Antonia Costa.
Vínculos precários e entraves na fixação
A vulnerabilidade social e a ausência de planos de carreira estruturados são apontadas como os principais entraves para manter profissionais em áreas distantes da capital. De acordo com o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Maranhão (CRM-MA), José Calixto, as condições inadequadas de trabalho e a falta de vínculos estáveis comprometem a rede assistencial.
“Eu não tenho condições de trabalho e não tenho vínculo no interior do estado. Pra organizar uma rede de assistência, é preciso ter médicos fixos lá. Hoje, a realidade dos médicos é que já não tem tantos municípios oferecendo plantões” — explica Calixto.
Aumento na formação de profissionais
Apesar da assimetria na distribuição geográfica, o contingente total de médicos no Maranhão mais que dobrou em 15 anos, saltando de 4,5 mil formados em 2011 para 8,5 mil em 2024. Atualmente, o CRM-MA contabiliza 12 mil registros ativos no estado.
Para o especialista em saúde pública Antonio Augusto, ampliar vagas nas faculdades não resolve o problema isoladamente sem políticas públicas de incentivo fixador.
“O médico tende a ir para onde circula mais dinheiro, então as regiões mais desenvolvidas são aquelas que atraem mais profissionais” — avalia.
O que dizem os órgãos oficiais
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Bom Jardim informou que a assistência ao povoado Casimiro obedece a critérios territoriais do Ministério da Saúde e que localidades com menor densidade populacional são atendidas por equipes itinerantes.
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) destacou a ampliação de vagas de residência médica e o apoio à criação de novos cursos de Medicina no interior. Já o Ministério da Saúde reafirmou a manutenção de ações para reforçar o provimento de médicos no estado.












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