A identificação da bactéria Acinetobacter baumannii em uma UTI Neonatal acendeu alerta em Porto Alegre após a morte de um bebê prematuro extremo, nascido com 26 semanas de gestação. O caso foi registrado no Hospital Fêmina, onde outros três recém-nascidos também testaram positivo para o microrganismo.
Considerada uma das bactérias mais perigosas do mundo pela Organização Mundial da Saúde, a Acinetobacter baumannii é classificada como pan-resistente, ou seja, não responde aos antibióticos disponíveis atualmente. Esse fator dificulta o tratamento e eleva o risco de complicações graves, especialmente em pacientes com sistema imunológico fragilizado.
O microrganismo é descrito como um patógeno oportunista, frequentemente associado a infecções hospitalares. O risco de contaminação aumenta conforme o tempo de internação, sendo particularmente elevado em unidades de terapia intensiva, onde estão pacientes mais vulneráveis, como recém-nascidos.
Além da resistência ampla, a bactéria também apresenta baixa resposta aos carbapenêmicos, antibióticos considerados de última linha no tratamento de infecções graves. O uso indiscriminado desses medicamentos é apontado como um dos fatores que contribuem para o avanço da resistência bacteriana.
Diante da confirmação dos casos, o hospital adotou medidas rigorosas de controle, incluindo o fechamento temporário da UTI Neonatal para novas admissões. A área foi isolada, e todos os pacientes passaram por testagem. Dos 34 bebês internados na unidade, quatro apresentaram resultado positivo.
Os três recém-nascidos que seguem infectados estão em estado estável, mantidos em isolamento e sob cuidados de uma equipe exclusiva. Já os demais pacientes permanecem sob monitoramento contínuo.
Como medida preventiva, gestantes de alto risco estão sendo direcionadas para outras maternidades da capital, com apoio da rede municipal de saúde. As autoridades sanitárias acompanham o caso e reforçam a importância de protocolos rigorosos de controle de infecção para evitar a disseminação da bactéria.
O episódio evidencia o avanço das chamadas superbactérias — microrganismos que evoluíram resistência a múltiplos medicamentos — e reforça o desafio global no combate às infecções hospitalares.