A arrecadação do governo federal com o imposto de importação sobre encomendas internacionais, conhecido como “taxa das blusinhas”, alcançou R$ 425 milhões em janeiro deste ano, segundo dados da Receita Federal. O valor representa um aumento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram registrados R$ 340,9 milhões.
O crescimento acompanha a expansão das compras internacionais. Em janeiro, foram contabilizadas 15,3 milhões de remessas, ante 11,4 milhões no mesmo mês de 2025.
Apesar do avanço na arrecadação, a medida voltou ao centro do debate político. De acordo com informações divulgadas pela imprensa, o governo federal avalia a possibilidade de rever ou até extinguir o imposto ainda em 2026, ano de eleições.
A discussão envolve integrantes da ala política do governo, incluindo o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira. Paralelamente, a Câmara dos Deputados analisa um projeto de lei que propõe zerar o imposto de importação para compras de até US$ 50 feitas por meio do comércio eletrônico.
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou não participar diretamente das discussões atuais, mas destacou que, no passado, defendeu a criação da taxa como forma de proteger a indústria nacional, os empregos e a renda no país. Segundo ele, produtos fabricados no Brasil chegam a ter carga tributária média de 45%, superior à aplicada a itens importados, mesmo após a instituição do imposto.
Arrecadação recorde
Em 2025, a cobrança sobre remessas internacionais atingiu R$ 5 bilhões, contribuindo para o cumprimento das metas fiscais do governo. De acordo com a Receita Federal, cerca de 50 milhões de brasileiros passaram a recolher tributos por meio de empresas habilitadas no programa Remessa Conforme.
O órgão destaca que o programa ampliou o registro de declarações de importação, ajudou a combater a evasão fiscal e reduziu o tempo de entrega das encomendas. O número de remessas fora do sistema caiu de 16 milhões em 2024 para 6,5 milhões em 2025.
Origem da cobrança
A taxa de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 entrou em vigor em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional e sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes da mudança, essas compras eram isentas para empresas participantes do programa Remessa Conforme.
A medida foi adotada em meio à pressão de setores da indústria nacional, especialmente diante do crescimento do comércio eletrônico e da diferença de tributação entre produtos nacionais e importados.
Setor produtivo defende manutenção
Entidades da indústria seguem favoráveis à manutenção da taxa. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção afirma que a cobrança contribui para preservar empregos e reduzir desigualdades competitivas entre empresas brasileiras e estrangeiras.
Segundo a entidade, a tributação das remessas internacionais reforça a isonomia tributária e regulatória, considerada essencial para o equilíbrio do setor.